Ela vinha caminhando na mesma calçada que eu, passos curtos, cautelosos, mantendo o corpo ereto numa elegância corporal que já não se vê nas mulheres.
Quando aproximou, dei-lhe passagem na estreita calçada. Ela ergueu os olhos e pude ver que ainda traziam um brilho jovial. Pousou um olhar doce sobre mim e me ofereceu um sorriso largo acompanhado por um "muito obrigado".
A jovialidade que os olhos claros transmitiam por de traz do delicado óculos de aro dourado, amenizavam a expressão de seu rosto, já enrugado pelo tempo e formava um conjunto interessante, uma pintura moldurada pelos cabelos grisalhos, que já não eram tão volumosos.
Retribui o cumprimento. Deixei que ela se distanciasse para poder ouvir o meu próprio pensamento: - Que exemplo de vivência!
Foi então que notei seu traje descontraído, calça jeans, camisete listrado de azul e branco e tênis.
- Deve ter sido uma bela mulher em sua juventude! Pensei.
E a velha senhora continuou seu caminho com passos cautelosos e curtos, seguindo em direção ao seu destino, firme e decidida, sem se distrair.
"Os passos de um homem bom são confirmados pelo Senhor, e Ele deleita-se no seu caminho.
Ainda que caia, não ficará prostrado, pois o Senhor o sustém com a sua mão.
Fui moço e agora sou velho; mas nun ca avi desamparado o justo, nem a sua descendência a mendigar o pão". (Sl. 37:23-25)
